Lendas e tradições

Trajes característicos
De acordo com documentos antigos desta região, recuperaram-se os trajes femininos compostos por uma camisa, colete com atacador, blusa e saia rodada até ao meio da canela da perna (nesta saia gastavam-se 11 metros de pano).
 
Jogos e brinquedos tradicionais
De acordo com as memórias dos mais velhos, recuperaram-se os jogos da malha, das cartas, do pião, da bilharda, do espeta pau e da corrida de sacos.
 
Manuel Alves, o poeta cavador  
Nasceu a 15 de Outubro de 1843, no lugar de Vale de Boi, segundo filho de Constança Alves e de pai incógnito. Sua mãe teve seis filhos, três deles falecidos em tenra idade. Sobreviveram Manuel e duas irmãs, Adelaide e Joaquina.
Foi pensando nos seis sobrinhos, órfãos quando Joaquina morreu, em 1888, que Manuel Alves escreveu:
 
“pelas mão da caridade
Não os quero a mendigar,
Dormir fora do seu lar,
Sem ter pão, sem agasalho…
Que a custa do meu trabalho
Tenho honra em sustentar.
Se não tivessem um tio
E uma avó que os acarinha,
Stou certo que algum já tinha
Morrido à fome e ao frio”.
 
O poeta cavador escreve, a respeito da sua própria existência:
 
“Eu nasci na gruta escura,
Junto à urze fui criado;
Sempre de pão acanhado,
Sem ter a esperança futura
Não tendo pão que me sobre 
P’ra sustentar minha mãe,
Vou ganhando algum vintém
Com trabalho, que é tão nobre”.
 
O seu verso tinha, frequentemente, um tom humilde, que mostra bem o grande orgulho que tinha, na sua arte:
 
“Se encontrares um verso meu
Sem rima, sem medição,
Sou homem sem instrução,
Desculpa o rude plebeu!”
 
Morreu em 24 de Julho de 1901. “Não foi, decerto, o “maior poeta do mundo”, como proclamou uma velhinha à passagem do seu funeral, em dia de mercado na Moita. Também não fora um génio, como pretendiam, exaltados, os intelectuais de Coimbra que vinham admirá-lo.
Mas era, seguramente, o maior poeta possível, de um tempo (ainda não completamente erradicado) em que os povos sofriam as suas vidas entre a ignorância e a miséria”.
 
Curiosidades
FERREIROS, VILA E SEDE DE CONCELHO  
Ferreiros é um lugar da freguesia de Moita, no concelho de Anadia. Foi vila e sede de concelho entre 1210 e o início do século XIX. Era constituído apenas pela freguesia de Moita e tinha, em 1801, 1 192 habitantes.