Moinho de vento em Vale da Mó

Dados do Património
Nome: Moinho de vento em Vale da Mó

Este tipo de moinho, embora a região seja propícia de ventos dominantes de qualquer quadrante, está em vias de desaparecimento absoluto.
Em zonas baixas e planas, como em Aveiro e Ílhavo, os moinhos de vento eram construções relativamente altas, de pedra, cal e argamassa.
Outro tipo de moinho de vento, cuja casa se apresenta fortemente construída de pedra, cal e argamassa, foi o que conhecemos em Vale da Mó, no concelho de Anadia. O tecto era móvel para se procurar a posição directora dos ventos, e girava sobre uma pequena calha superior, por meio de uma haste de madeira que descia obliquamente, da parte de fora, até quase ao solo, quando se pretendia orientá-lo para a recepção do vento dominante.
(anexo: moinho de vento de Vale da Mó)
Depois do patamar da porta de entrada, subia-se por uma pequena escada de pedra até uma plataforma interior, onde estava instalado o casal de mós.
Ao contrário dos outros tipos de moinho cuja fonte de energia é a água ou a força dos animais, e que é comunicada sempre de baixo para cima, aqui, a energia eólica é, aproveitada no sentido de cima para baixo, embora o processo de adaptação não seja substancialmente diferente. No interior da casa e ligada ao mastro, também chamado eixo das velas, encontra-se uma rede forte de madeira, dentada, que gira na vertical, juntamente com o eixo; esta roda corresponde à entrosa da azenha e, tendo as mesmas funções, comunica com o carreto cujo eixo de ferro desde, atravessando as duas mós, comunica naturalmente com a segurelha que faz trabalhar a mó móvel e apoia-se sobre a rela de ferro encravada no urreiro; este, por meio de cuinha ou de tarra, permite o levantamento ou o abaixamento da mó móvel-aí está o aparelho do allbiadeiro cujo processo é indentico ao da atafona.
Externamente, o mastro apresenta cada vez mais delgado até à extremidade; nele estão inseridas as varas, em dois planos, apertados por tacos de madeira; a elas se ligam as velas por meio de cordas. Por sua vez, as varas das velas estão ligadas entre si nas extremidades, quer por meio de cordas fortes quer por arames, alterando com tiras de madeira relativamente finas. E também, por meio de arames, se unem ainda à extremidade do mastro.
Podemos, pois, concluir que, em relação aos processos de moagem, a técnica é sempre a mesma; é variável, isso sim, o processo de captação e de comunicação da energia motriz.
Para a preparação das mós, em qualquer dos casos de necessidade, são precisas curtas e fortes pranchas de madeira chamadas malhas, que possibilitem a deslocação da mó móvel; também são necessários uns instrumentos de ferro, terminados em bico e com cabo de madeira, à maneira de martelo e que, servem para picar a mó, se chamam picões; é ainda imprescindível a vassoura de rama para juntar a farinha.
Ao entrarmos nesta velha construção, notamos a escada a um lado e, a outro, o vigoroso suporte do casal de mós que se vê na fotografia.
Na fotografia seguinte, podemos observar o consistente veio de ferro que faz girar a mó móvel e se liga, na parte superior, a um grande e forte carreto que engrena na roda do vento.
Vê-se bem toda a engrenagem superior do moinho: a forte nora do vento ligada à outrora vigorosa haste das velas; a posição do assento do tecto móvel; a comunicação da roda com o carreto que, por meio do espesso veio de ferro, vem articular-se com a mó móvel, situada no plano inferior da fotografia.
Na fotografia que vê, podemos observar, com nitidez, a ligação do carreto com a roda do vento, na qual já há vários dentes partidos.