Igreja Paroquial da Moita

Dados do Património
Nome: Igreja Paroquial da Moita

Construção rural dedicada a S. Tiago, embora na Idade Média, pelo menos até ao séc. XIV, tenha sido S. Cucufate (Santo de origem Africana) o seu Padroeiro.
Da época medieval não deixa antever qualquer vestígio, devido a obras de restauro e melhoramentos. Excepto uma lápide do Séc. XII, comemorativa de uma reconstrução desse tempo e se encontra na parede do templo, invocando a Santíssima Trindade, diz ter sido o templo edificado em honra de S. Cucufate, no ano de 1195. Mede 43 cm. de comprimento, por 18 cm. de alto, dizendo, em letras capitais e algumas unciais, com separação vocabular por três pontos (que substituímos por dois) :
 
IN :NOMINE :SANCTE :TRINITATIS
EOIFICATV(M) :EST :HOC:TEN-
PLV(M) :AD
HONORE(M) :SANCTI:CVCVFATI
MAR:
4 TIRIS:Eª:MCCXXX.III:
 
O actual edifício, pertence à segunda metade do Séc. XVII, segunda metade tendo a fachada torre e complementos gerais alguns aspectos do séc. XIX (1853), inspirados nos tipos setecentistas regionais
No seu Interior existem elementos variados de várias épocas:
O púlpito, ao lado do evangelho está datado na porta rectangular, de 1697. 
O retábulo principal e colaterais são de madeira em neo-clássico do séc. XIX. avançado, de quatro colunas aquele e duas estes. Fecha o camarim do primeiro uma tela representando S.Tiago a adorar a Eucaristia, do séc. XIX, obra artificianal. Ao lado esquerdo destaca-se a escultura do padroeiro, S. Tiago vestido de peregrino, com pregueados grossos, de calcário, bastante regular, de oficina de Coimbra do meado do séc. XV. Ao lado contrário há uma de S. Martinho, bispo, com uma criança aos pés em vez do pobre adulto, igualmente de calcário, da segunda metade do séc. XVI, obra coimbrã e corrente.
Acima do arco-cruzeiro fixa-se pequeno baixo-relevo com o Calvário (Cristo, Virgem e S. João), obra secundária dos sécs. XV-XVI,
Há esculturas avulsas de pedra, das quais anotamos duas: Santo António, Franciscano, sem menino, do meado do séc, XV, de oficina coimbrã; do mesmo tempo e origem, S. Vicente, diácono, com o barco e os corvos.
A igreja é composta por uma capela-mor e três capelas nos flancos com fins fúnebres para gentes locais.
A capela do flanco do evangelho, a das Almas, reduz-se a pouco menos que o arco baixo, embutido na parede. O retábulo limita-se a uma moldura semi-circular, do último terço do séc. XVII, com uma tela das Almas, inferior, do séc. XIX.
Um letreiro incrustado fora, ao lado esquerdo, com abreviaturas, letras geminadas, sobrepostas e inclusas, cobertas de cal diz:
 
 
 
 
 
“A IRMANDADE DAS ALMAS SITA
    NESTA
CAPELA TEM HU (M) OLIVAL NA 
    POVOA DO 
P(E)R(EIR) AOS CARVALHINHOS
    Q (VE) LHE DEIXOV
IOÃO MENDES P (ER) A CO(M) REN-
     DIM (EN)TOS DELLE SE 
COMPRAR O ORNATO PRECISA-
    M(EN)TE  NECESS( ARI)
E O CRECIMO SE DIRA EM MISSAS
    PELAS 
ALMAS DO PVRGAT(ORI)O NESTA 
    CAP(EL)A  DISTRIBVI
DAS CADA SOMANA P8ER9 A SEMPRE
    DITAS POR CAPE
LAM NOMEADO E(M) MERSA CO(M)
    ESMOLA DE 50 RE(I)S EM 
CADA ANNO DARAO CONTA DO REN-
    DIM(EN)TO DES
PEZA NO L(IVR)O DAS CONTAS
    ISTO MANDOV IO
AÕ MENDES E(M) TESTAM(ENT)O
    POR NESTA PEDRA
MAIO.2.D.688
   
Por outras palavras a lápide diz que existiu uma confraria das almas, que um tal João Mendes institui, deixando um olival na Póvoa do Pereiro para manutenção do ornato e das missas de intenção, isto no ano de 1688.
No lado direito, encontra-se uma pequena capela, com um pequeno túmulo que encerra os restos mortais de um ilustre Senhor da casa de Carvalhais,de um dos elementos da família dos Borges, do final do Séc. XV. Esta capela foi dedicada a S. Gregório, com escultura grande, em pedra do séc. XVI. O retábulo, pequeno, de quatro colunas salomónicas com parras, é do princípio do séc. XVIII, como a restante talha; tendo sido decorado e pintado o conjunto mais tardiamente, mas no mesmo século.
   A mesa que faz de altar, não é mais do que um túmulo de calcário brando, do final do séc. XV. Não tem letreiro e só a face da arca foi ornada; a cabeceira e o topo bem como a tampa são lisas. Divide-se a face em cinco panos, por cordões de louros, três são de haste de cardo, que deita uma maçaroca para cada ângulo e junta ao centro três folhas sugestionando um florão, os dois outros intercalares encerram um escudo simples de forma apontada, com um leão rompante, o dos Borges, da casa dos Ferreiros.
A segunda capela deste lado direito da epístola, a de Santa Cruz, também chamada a capela dos irmãos, fica inferior à porta travessa, é baixa e funda, de arco simples, abóbada semi-circular de tijolo, tendo anexa pequena sacristia.
  
Lápide cravada ao lado esquerdo esclarece a fundação:
 
CAPPELLA DOS DOVS IRMAOS.NA
    VIDA.E NA MORTE IRMAOS
OL (ICENCIA)DO M(ANV)EL DE
    ALMEYDA,PRIOR,Q(VE) FOY DE
STA IGREIA,COMMISSARIO,DO
    S(AN)TO OFF(ICI)O AR
CIPRESTE E, VEZITADOR,NESTE    
    BISP(A)DO
E O P(ADR)E MATHEVS,CVRA,
     Q(VE) FOY NESTA IGR(EI)A
MANDARAM EDIFICAR ESTA CAP-
    PELLA,EM
HONRA,LOVVOR,E GLORIA, DESTA       
    DEVOTIS
SIMA,E PRODIGIOZA, IMAGEM DE
    IHS CHR
ISTO CRVCIFICADO;COM OBRIGA-
    CAM D
E MISSA QVOTIDIANNA,E FESTA
    A 3 DE MAYO
ESTAM NELLA SEPVLTADOS.ANNO
    DE.1719.
 
 
Esta capela chamada dos irmãos, recolhe os restos mortais do licenciado Manuel de Almeida Prior, irmão do padre Mateus de Almeida que foi cura nesta igreja. Cada um possui a sua campa e ambos deixaram os seus bens para instituição de uma festa de invocação a Jesus Cristo, festa que tinha lugar a 3 de Maio e que começou em 1719.
Data dos princípios do séc. XVIII o pequeno retábulo de madeira dourada, que se compõe de dois pares de colunas salomónicas e com parras, ligadas por arcos torcidos.
A escultura de Cristo crucificado, de madeira, do tipo do séc. XVII, não justifica as palavras do letreiro, se for a da fundação.
Entre as pratas, há uma custódia de prata dourada, da segunda metade do séc. XVIII, tipo glória solar.
Um dos sinos está datado de 1799 e outro tem a marca de S. Sebastião Dias de Campos, 1870.